sexta-feira, 30 de julho de 2010

(Sem Título)

A negra névoa sufoca-me, cega-me a alma num beijo de doce acidez que me corrói a pele, a carne, os ossos, cinzas que voam no ar frio que se agita. Sentado a um canto, fogem do meu peito murmúrios chorosos, convulsões lacrimosas que me escorrem pelo rosto escondido entre as mãos, que tremem cobardemente pela tua ausência. Abraço os joelhos contra o peito, lembrando o teu toque que me incendiava o coração numa voluptuosa maré de aromas que me faziam flutuar. Partiste... Sem fôlego, corri para te agarrar, uma última vez, mas tropecei, caí sobre os sonhos que erradamente deixei para trás para te ter só para mim, entregar-me nos braços de um anjo. Sôfrega chama que se extingue, a luz que dos meus olhos se desvanece perdendo-se na irrisória dor que me magoa e consome, quando recordo o teu rosto, o teu corpo, memórias traiçoeiras, melodias ilusórias das ninfas do mar, que me levam à perdição...ao fim de um ser exausto de caminhar na noite, perdido na angústia que me envolve, que me embala numa canção de fria doçura.


                                                                                               Filipe Pimentel
                                                     

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Acorrentado...

Os teus olhos são as nascentes

De rios que te conhecem
As mágoas que inquietam
E esquartejam a tua alma,
Tremente e sem fôlego,
Um sussurro no vento
Frio que me acaricia a pele,
Cicatrizada e húmida
Da ausência dos teus beijos
Que fizeram de novo o meu sangue
Correr no meu peito empedrenido.

Os teus sôfregos lábios,
O mar onde morrem
Os meus sonhos em agonia
Contra os penhascos de um amor,
Inútil e condenado aos grilhos
Do negrume pérfido
Que não dorme nem vacila,
Que me entorpece e petrifica,
Um vórtice de ilusão quimérica,
A lágrima que de mim escapa
Numa lembrança que magoa.
                                                                           Filipe Pimentel

I Want You

I saw you in the mist,
A strange form emerging
From the darkness of my days.
A beacon of light among the shadows
That blinded my heart for so long.
Too long, perhaps...
You flutered towards me,
Like the light, sweet breeze
That passes,
Silent and beautiful.
The softness of your touch,
A caress from a butterfly's wings,
The mystery within your voice,
Echos of lost loves
And dreams of Infinity,
The divinity of your lusty lips,
Eager of passion and wildness.
I want you...
I want you for myself...
I want you, my angel.
                                                                     Nicholas J. Shatters
                                                                     ( aka Filipe Pimentel)

Deleite


O gosto aveludado dos teus beijos,
Pétalas de rosa na madrugada,
Ferem o meu corpo fraco, e o teu toque,
Distante, dilacera a alma apaixonada.

Os teus olhos, esferas fogosas
Que me incendeiam o coração,
A tua voz pura e os teus lábios
Tecem no ar frio uma canção.

Deito ao mar as minhas lágrimas,
Dou à terra húmida o meu sangue,
Grito ao vento teu vil nome,
Deito ao fogo meu rosto exangue.

                                                                        Filipe Pimentel

sábado, 19 de dezembro de 2009

Lua

Sinto-me longe. Sinto-me tão perto do Infinito. Sinto tanto que deixo de sentir a dor assoladora, vil e pérfida devassa, que me arruina a alma débil e decrépita escondida algures no canto de um sonho breve que passa por mim em êxtase efémero e brunal, um demente devaneio que se afigura no tumulto oco da minha mente. Suspiro e lembro o esquecimento da noite voluptuosa e ilusória, do rubor falso da prata que derrama tão nobre astro, tão cruel ser.

                                                                                             Filipe Pimentel

Crystal Godess

My eyes go behond my dreams
When I lay my sight on you,
So peaceful, so beautiful,
And the gods bow when you pass,
Your dress fluttering
On the scented breeze
From a thousand springs.
A pair of stars, blue as the sea,
Lightning the lonely day,
The stark existence of my soul.
The divine glow of your skin
Sets on fire my shattered heart
And your voice, pure,
A choir from the angels of Heaven,
Blows away all the sorrow,
The dreadful scream
That kept my world silent,
Hidering me from hearing
The soft murmur of love.
                   
                                                                                                Nicholas J. Shatters
                                                                                               ( aka Filipe Pimentel)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Ciclo de Chamas

Quero amar! Quero amar só por amar. Quero sentir aquela chama que nos queima a alma e nos enlouquece o coração. Quero sim! Amar, amar, amar! Voar por céus de fogo e mergulhar em lagos incandescentes, e depois ver-te nos astros que se incendeiam. Beijar os teus lábios num reboliço infernal, primitivo e apaixonado. E sentir o teu corpo no meu. Sentir o odor quente que emana de ti como uma aura impetuosa que me transforma em cinzas! Mas eu volto a nascer com o teu suave toque fogoso de deusa ingénua. E ouço os teus suspiros lascivos, as tuas palavras devassas que bailam nos meus ouvidos e me acariciam a pele húmida. O teu olhar de harpia meiga consome-me lentamente, numa tortura gentil em que me vicias. Ardo, desapareço em pó, mas quero amar! Amar, amar, amar-te a ti até mais forças não ter e cair a teus pés, oferecendo-te o meu último sopro. Mas então, voltarei a nascer! E a querer amar, amar, amar...

                                                                                                                        Filipe Pimentel