Vejo ao cimo o sol, tu que brilhas, um fulgor que aos meus olhos se apaga, como ode que definha num choro sem voz. Cintilas sobre as nuvens de outros tempos, de outras areias que correram e que já preguiçam em ser. Ardes alto, onde não chego, longe do meu toque que enregela o mais quente beijo... oh, luxuriante beijo que te vais sem antes aos meus lábios te revelares. Sol tímido, morna e tépida incandescência que nos meus sonhos suspirados tomas corpo, mas foges... Rugido emudecido, penosa sorte que amargamente se encorpora e me pesa nos ombros que me custam a manter direitos, quando tu, ó monarca ardente da bondade espinhosa, me esqueces ao beco desta ruela abandonada a que chamam a dádiva divina... Esbanjas esse teu esgar áureo sobre o que já ofusca e a mim...a mim esqueces-me, nem sombra tenho de espectral que para ti sou, numa vala por aqui e por ali perdida num pulsar que morre sem ter da terra brotado. Fosse o meu espírito pedaço inteiro, para ti bradava palavras fracas mas minhas de saudade e força que se me desvanece, com o teu brilho que não chega, ó sol pulsante, que te ouço no meu peito, ó dia que te apagas. Não vás, ainda eu não te olhei...sol no meu peito que teimas em me não ver. Canção dos pedintes do amor sem esmola, é o que me sibilas...lá no cume dos montes de safira, brilhas, ardes em esplendor que me recusas. Talvez um dia...quando em mim alma estilhaçada não morar e lágrimas minhas, essas, para ti são.
Filipe Pimentel
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